1.
A estratégia utilizada pele autor ao encerrar o texto com o trecho “Houve um tempo em que havia tempo. Houve um tempo.” tem como principal efeito
2.
"Um dia, no verão passado, meu amigo Rahim Khan me ligou do Paquistão. Pediu que eu fosse vê-lo. Parado ali na cozinha, com o fone no ouvido, sabia muito bem que não era só Rahim Khan que estava do outro lado daquela linha. Era o meu passado de pecados não expiados. Depois que desliguei, fui passear pelo Lago Spreckels, na orla norte do parque da Golden Gate. O sol do início da tarde cintilava na água onde navegavam dezenas de barquinhos em miniatura, impulsionados por um ventinho ligeiro. Olhei então para cima e vi um par de pipas vermelhas planando no ar, com rabiolas compridas e azuis. Dançavam lá no alto, bem acima das árvores da ponta oeste do parque, por sobre os moinhos, voando lado a lado como um par de olhos fitando San Francisco, a cidade que eu agora chamava de lar.". HOSSEINI, Khaled. O caçador de pipas. Tradução de Maria Helena Rouanet. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 2005. (fragmento). No trecho, a ligação recebida tem como principal efeito
3.
"Na planície avermelhada os juazeiros alargavam duas manchas verdes. Os infelizes tinham caminhado o dia inteiro, estavam cansados e famintos. Ordinariamente andavam pouco, mas como haviam repousado bastante na areia do rio seco, a viagem progredira bem três léguas. Fazia horas que procuravam uma sombra. A folhagem dos juazeiros apareceu longe, através dos galhos pelados da catinga rala. Arrastaram-se para lá, devagar, sinha Vitória com o filho mais novo escanchado no quarto e o baú de folha na cabeça, Fabiano sombrio, cambaio, o aió a tiracolo, a cuia pendurada numa correia presa ao cinturão, a espingarda de pederneira no ombro. O menino mais velho e a cachorra Baleia iam atrás. Os juazeiros aproximaram-se, recuaram, sumiram-se. O menino mais velho pôs-se a chorar, sentou-se no chão. [...]" RAMOS, Graciliano. Vidas secas.120ª ed. – Rio de Janeiro: Record, 2013. (fragmento). O trecho trata principalmente:
4.
TEXTO PARA AS QUESTÕES 9 E 10 Você pode não acreditar Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os leiteiros deixavam as garrafinhas de leite do lado de fora das casas, seja ao pé da porta, seja na janela. A gente ia de uniforme azul e branco para o grupo, de manhãzinha, passava pelas casas e não ocorria que alguém pudesse roubar aquilo. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que os padeiros deixavam o pão na soleira da porta ou na janela que dava para a rua. A gente passava e via aquilo como uma coisa normal. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que você saía à noite para namorar e voltava andando pelas ruas da cidade, caminhando displicentemente, sentindo cheiro de jasmim e de alecrim, sem olhar para trás, sem temer as sombras. Você pode não acreditar: houve um tempo em que as pessoas se visitavam airosamente. Chegavam no meio da tarde ou à noite, contavam casos, tomavam café, falavam da saúde, tricotavam sobre a vida alheia e voltavam de bonde às suas casas. Você pode não acreditar: mas houve um tempo em que o namorado primeiro ficava andando com a moça numa rua perto da casa dela, depois passava a namorar no portão, depois tinha ingresso na sala da família.Era sinal de que já estava praticamente noivo e seguro. Houve um tempo em que havia tempo. Houve um tempo. SANT’ANNA, A. R. Estado de Minas. 5 maio 2013 (fragmento). No texto, a repetição da expressão “Você pode não acreditar” serve para
5.
TEXTO PARA AS QUESTÕES 6, 7 E 8. Negócio de Menino Tem dez anos, é filho de um amigo, e nos encontramos na praia: – Papai me disse que o senhor tem muito passarinho… – Só tenho três. – Tem coleira? – Tenho uma coleirinha. – Virado? – Virado. – Muito velho? – Virado há um ano. – Canta? – Uma beleza. – Manso? – Canta no dedo. – O senhor vende? – Vendo. – Quanto? – Dez contos. Pausa. Depois volta: – Só tem coleira? – Tenho um melro e um curió. – É melro mesmo ou é vira? – É quase do tamanho de uma graúna. – Deixa coçar a cabeça? – Claro. Come na mão… – E o curió? – Por quanto o senhor vende? – Dez contos. Pausa. – Deixa mais barato… – Para você, seis contos. – Com a gaiola? – Sem a gaiola. Pausa. – E o melro? – O melro eu não vendo. – Como se chama? – Brigitte. – Uai, é fêmea? – Não. Foi a empregada que botou o nome. Quando ela fala com ele, ele se arrepia todo, fica todo despenteado, então ela diz que é Brigitte. Pausa. – O coleira o senhor também deixa por seis contos? – Deixo por oito contos. – Com a gaiola? – Sem a gaiola. Longa pausa. Hesitação. A irmãzinha o chama de dentro d’água. E, antes de sair correndo, propõe, sem me encarar: – O senhor não me dá um passarinho de presente, não? Rubem Braga. A forma como os personagens interagem contribui para a construção de um texto que se caracteriza por
6.
"Tudo, afinal, tinha passado, menos a lembrança daquele beijo. Menos a lembrança de Cristiano. Pensou em telefonar para ele mas, se telefonasse, o que iria dizer? Na certa acabaria nervosa, fazendo alguma de suas gracinhas, e estragaria tudo. Não, tudo não. Não havia o que pudesse estragar o que tinha começado com aquele beijo. Aquele beijo fora um compromisso. Não por ter sido um beijo. Mas por ter sido um beijo como aquele. Isabel tinha pressa. É claro que tinha pressa. Era preciso reencontrar Cristiano para não o largar nunca mais. Mas era domingo, dia-de-sair-com-papai. Esta era outra razão para esperar mais um dia, o dia que separava a descoberta do seu sonho e o reinício das aulas. O início de uma nova vida. Uma vida com Cristiano. [...]". BANDEIRA, Pedro. A marca de uma lágrima. São Paulo: Moderna, 1986. (fragmento). De acordo com o trecho, pode-se deduzir que
7.
"Uma coisa voltava com impiedosa insistência e regularidade ao espírito de Espinosa: a convicção de que episódios como o do rapaz era o que quebrava a monotonia de sua atividade de delegado, cada vez mais tomada por tarefas burocráticas. A imagem do policial como investigador de crimes e captor de bandidos correspondia cada vez menos ao cotidiano da delegacia de polícia. Num país marcado por tamanha desigualdade, a função da polícia não pode ser outra senão impedir o terceiro mundo de invadir o primeiro. Espinosa sabia disso; alguns poucos como ele também sabiam; os demais eram tão marginais quanto os que eles prendiam, agrediam e achacavam. Nesse panorama, a história de um homem ameaçado de se tornar assassino pela predição de um adivinho era sem dúvida diferente. [...]". GARCIA-ROZA, Luiz Alfredo. Vento sudoeste. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. (fragmento). No trecho, a expressão destacada contribui para a organização do texto porque
8.
Com base na pergunta final “– O senhor não me dá um passarinho de presente, não?”, é possível entender que o menino
9.
A principal função das pausas sinalizadas no texto é
10.
"Bruno sentiu um impulso de abraçar Shmuel, apenas para mostrar-lhe o quanto gostava dele e como fora bom conversar com ele durante o ano que passara ali. Shmuel também sentiu um impulso de abraçar Bruno, apenas para agradecer-lhe pelas incontáveis gentilezas, e pela comida que trazia de presente, e pelo fato de que iria ajudá-lo a procurar pelo pai. No entanto, nenhum deles abraçou o outro; em vez disso, começaram a caminhada desde a cerca até o campo, uma caminhada que Shmuel fizera quase todos os dias já há quase um ano, quando escapava dos olhares dos soldados e conseguia chegar até a única parte de Haja-Vista que parecia não estar sob vigilância constante, um lugar no qual ele tivera a sorte de encontrar um amigo como Bruno. [...]". BOYNE, John. O menino do pijama listrado. Tradução de Augusto Pacheco Calil. São Paulo: Companhia das Letras, 2007. (fragmento). No trecho, a expressão “No entanto” produz efeito de
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